O que mais prejudica os profissionais de hoje?

Competência, conhecimento, postura, domínio técnico, boa comunicação, uma rede forte de network: muitos profissionais têm tudo isso mas, ainda assim, convivem com uma sensação de insatisfação com a própria carreira. Muitas vezes, a relação do ritmo de aprendizado x ritmo de crescimento desmotiva. O profissional investe muito de sua vida na carreira e colhe os frutos lentamente. Até experimentar a sensação de vitória tudo é muito suado e essa entrega faz parte do processo. Mas além deste, outros fatores podem prejudicar os profissionais de hoje. E as empresas têm sua parcela de contribuição ou, melhor, de mea-culpa. É por isso que, frequentemente, elas perdem ótimos profissionais.

A ausência de novos desafios

Comumente, sem novos desafios as pessoas tendem a se sentir subutilizadas e, por isso, preferem buscar desafios em outras organizações e, em alguns casos, se desafiam lançando seu próprio negócio. Ainda de acordo com dados da DM, 26% dos profissionais tendem a aceitar uma nova oferta de emprego pelos desafios que o cargo traz, 20% fazem a escolha motivados pelas perspectivas de desenvolvimento profissional e pessoal e somente 15% têm como principal critério remuneração e benefícios.

Faltam oportunidades de desenvolvimento

É claro que um ambiente de trabalho agradável, um líder coerente e sensível e um time forte, com profissionais parceiros, faz toda diferença. Mas tudo isso pode ser insuficiente e prejudicar os profissionais se a empresa não lançar novos desafios para seu time. Os profissionais também podem ser proativos e ter participação neste processo. Ao apresentar um novo projeto, por exemplo, o funcionário, muitas vezes, traz um conjunto de desafios que podem impactar em toda a organização e requerer a força do time. Cabe à empresa apoiar, dar condições para a execução e acompanhar todo o desenvolvimento, oferecendo suporte à equipe, se o desafio exigir demais. Quando novos desafios são lançados, todos crescem: a empresa, as pessoas diretamente envolvidas e a comunidade. A cada desafio superado, é possível experimentar a sensação de missão cumprida e ver surgir em todos a vontade de fazer mais e melhor.

Microgerenciamento exagerado

Outro fator que pode prejudicar os profissionais é a microgestão. Ela é desgastante para quem é gerenciado e também para quem gerencia e ainda pode comprometer a motivação da equipe, que deixa de lado suas habilidades e competências para fazer seu trabalho de acordo com o modelo que é imposto pelo gestor. Assim como o funcionário sente-se subutilizado com a falta de desafios, ele também vê sua competência sendo colocada em xeque em detrimento de um formato padrão de execução de tarefas. Aos poucos, o time perde a vontade de aprender, de crescer e até mesmo o orgulho de pertencer à empresa. Para os profissionais, torna-se ainda mais difícil conquistar a autorrealização e manter a motivação para continuar na organização. Para o gestor microgerenciador, é impossível acompanhar tudo, corrigir o que está fora do seu padrão e manter uma equipe satisfeita e produtiva.

Falta de feedback

Em artigo recente publicado no Linkedin, Rogério Chér, sócio da Empreender Vida e Carreira, implora aos gestores já no título: “Pelo amor de Deus: dê feedback para seu time!” E ele está coberto de razão.  A falta de feedback pode prejudicar os profissionais do seu time. As pessoas esperam pelo feedback, pela sugestão, pelo elogio, pelo reconhecimento. E não é preciso esperar a ocasião perfeita e formal para fazer isso. É perfeitamente possível fazer isso na prática diária. Ao elogiar um trabalho benfeito, é possível lançar uma tarefa semelhante ou, ainda, mais estratégica. Ao ver uma oportunidade de melhoria, é possível lançá-la em uma conversa franca. A prática do feedback tem o poder de motivar os profissionais, lapidar talentos, nivelar equipes, resolver problemas e melhorar resultados. E o reconhecimento eleva o orgulho, a auto realização e a autoconfiança dos pessoas. É com o feedback, o reconhecimento e o autoconhecimento que as pessoas olham para si, identificam os comportamentos positivos, aqueles que podem ser melhorados e estabelecem a melhor forma de desenvolver seu trabalho e conduzir sua vida.

Na construção de uma organização produtiva, eficiente e de sucesso, cada um tem sua parcela de contribuição: o líder e o time. Para a gestão e a retenção de talentos, e para a conquista de resultados positivos para a empresa, o ideal é trabalhar sem deixar que faltem desafios, formas de reconhecimento, feedback e, principalmente, sem que a microgestão comprometa o desempenho dos profissionais e a harmonia do time.