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NR1 e a inclusão dos riscos psicossociais: o que muda?

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Durante muito tempo, saúde mental no trabalho foi tratada como um tema ligado à cultura, benefícios ou iniciativas isoladas de RH. A atualização da NR1 muda esse cenário e coloca os riscos psicossociais no centro da operação.

Fatores como sobrecarga, pressão, desorganização e falhas de gestão deixam de ser problemas internos e passam a ser riscos ocupacionais formais, que precisam ser identificados, monitorados e controlados pelas empresas. Vamos entender o que isso significa na prática?

Você vai ler neste post

  • O que é a NR1?
  • Como a NR1 era aplicada até agora?
  • O que muda com a inclusão dos riscos psicossociais na NR1?
  • Quais os impactos da NR1 nas empresas?
  • Como as empresas podem se adequar à NR1?
  • NR1 nas agências de publicidade: dicas práticas!
  • Conclusão: se sua empresa já é organizada, não vai sentir os impactos da NR1

O que é a NR1?

A NR1 ou NR-01 (Norma Regulamentadora nº 1) define as diretrizes gerais e organiza como as empresas devem lidar com os riscos dentro da operação.

Ela define:

  • As regras gerais de segurança no trabalho
  • Os direitos e deveres de empresas e colaboradores
  • As diretrizes para a prevenção de acidentes e doenças

Nos últimos anos, a NR1 deixou de ser apenas uma norma “introdutória” e passou a ter um papel mais estratégico. Isso aconteceu com a consolidação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que trouxe uma lógica mais estruturada para lidar com riscos de forma contínua, e não mais como algo pontual ou burocrático.

Na prática, a NR1 passou a exigir que as empresas tenham um processo claro para: identificar riscos, avaliar impactos, definir ações de controle e fazer acompanhamento contínuo.

Como a NR1 era aplicada até agora?

A NR1 tinha como foco os riscos “visíveis”, como acidentes, exposição a agentes físicos, químicos, biológicos, enfim, tudo que era mensurável de forma direta.

Mas tratava de forma indireta os riscos ligados à forma como o trabalho é estruturado. Com a entrada do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que substituiu o antigo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), o escopo já tinha sido ampliado, mas ainda sem tratar de forma explícita os riscos psicossociais.

Mesmo estando “em conformidade” com a norma, muitas empresas carregavam durante anos equipes sobrecarregadas, processos desorganizados e comunicação falha, o que ao longo dos anos acabou por agravar o problema.

O que muda com a inclusão dos riscos psicossociais na NR1?

A partir da Portaria MTE nº 1.419/2024, os riscos psicossociais passam a fazer parte oficial do escopo de gestão de riscos ocupacionais da NR1.

Isso significa que os fatores listados abaixo deixam de ser tratados como problemas isolados e passam a ser reconhecidos como riscos que podem impactar diretamente a saúde do trabalhador.

Principais riscos psicossociais listados pela NR1:

  • Sobrecarga de trabalho
  • Pressão constante por resultado
  • Metas desalinhadas
  • Retrabalho
  • Conflitos internos
  • Falhas de comunicação
  • Assédio

Quando a nova NR1 passa a valer?

A obrigatoriedade da inclusão dos riscos psicossociais dentro da NR1 entra em vigor de forma mais estruturada a partir de maio de 2026, com um período inicial de adaptação.

Diferente de outros ajustes, esse não é somente documental, exige mudança na forma de operar. E se a empresa não tem uma operação organizada e bem documentada, essa atualização pode levar mais tempo e ser mais complexa.

Quais os impactos da NR1 nas empresas?

A atualização da NR1 aumenta o nível de responsabilidade da gestão, pois não basta mais garantir que o ambiente físico está seguro, é preciso garantir que o modelo de trabalho também não esteja adoecendo os colaboradores.

A seguir, vamos conferir os impactos diretos da atualização da NR1 nas empresas!

1. Saúde mental agora é responsabilidade legal

Não se trata mais de contar com boas práticas de Recursos Humanos ou Desenvolvimento Organizacional. Saúde mental agora é obrigação de Segurança e Saúde do Trabalho (SST).

2. A gestão passa a ser auditável

Todas as ações relacionadas às ações da empresa precisam ser documentadas no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, se não estiver mapeado, não tiver os riscos avaliados e não tiver acompanhamento, não existe do ponto de vista da norma e pode gerar autuação. A partir de maio de 2026, a fiscalização passa a ser punitiva.

3. Ampliação de risco jurídico e responsabilização do modelo de gestão

Muitos dos riscos psicossociais estão diretamente ligados à gestão. Ou seja: processos mal definidos, falta de organização e decisões operacionais passam a ter impacto legal.

Na prática, não se responsabilizar pela organização e pelo fluxo de trabalho adequado na empresa pode gerar penalizações e maiores chances de processos trabalhistas.

Como as empresas podem se adequar à NR1?

A adequação à NR1 não é sobre criar um documento, é sobre repensar a forma de operar e reavaliar o modelo de gestão adotado até então. A seguir, algumas dicas práticas de como seguir esse caminho sem maiores problemas.

1. Mapear riscos psicossociais

O primeiro passo é sentar, analisar a sua empresa e listar de forma muito honesta e ampla os possíveis riscos psicossociais. Pense em alguns tópicos, como:

Onde há sobrecarga?
Onde há ruído de comunicação?
Onde há retrabalho constante?

Importante: pense sempre nos riscos inerentes aos cargos/posições de cada pessoa, e não nas pessoas que ocupam os cargos nesse momento. Lembre-se da atuação daquela posição frente aos desafios que enfrenta no dia a dia.

2. Incluir tudo no PGR

Assim que identificados e mapeados, esses riscos precisam ser documentados no PGR, serem avaliados sobre a probabilidade e gravidade de cada risco e serem acompanhados, ou seja, precisam de um plano de ação para mitigá-los.

3. Criar indicadores

Para conseguir avaliar os riscos e ser possível acompanhar o andamento das ações, crie indicadores centrais que possam apoiar você nas tomadas de decisão e no olhar para o seu time.

Alguns exemplos clássicos são indicadores que as empresas já costumam observar e analisar, tais como:

  • Retrabalho
  • Horas extras recorrentes
  • Turnover

Então, se você já tem uma gestão organizada e presente, basta integrar a análise desses indicadores junto às ações do PGR.

4. Treinar lideranças

Grande parte dos riscos psicossociais nasce da gestão. Um ponto importante a se comentar sobre a atualização da NR1 é que ela vem para reforçar uma mudança que já estava acontecendo no mercado. A forma como o trabalho é estruturado importa e o papel das lideranças é central.

Por isso, a realização de treinamentos constantes com as lideranças é uma ótima dica para sua empresa seguir com confiança nesse cenário sem a ocorrência de grandes impactos.

5. Monitorar continuamente

O último ponto é essencial: o GRO é um ciclo contínuo, ou seja, ele não é um projeto pontual. Faça o acompanhamento, estabeleça rotinas junto às lideranças e não deixe de aplicar os planos de ação mapeados e planejados no PGR.

Dessa forma, a aplicação dessa norma não terá um grande impacto na sua operação e ainda trará mais organização, produtividade e confiança ao time.

NR1 nas agências de publicidade: dicas práticas!

Se tem um tipo de empresa que já convive com riscos psicossociais no dia a dia, são as agências. Prazos curtos, múltiplos projetos, pressão por entrega, mudanças constantes, tudo isso faz parte da rotina de uma agência de marketing. O problema é quando isso deixa de ser exceção e vira padrão.

A boa notícia é que boa parte desses riscos não exige soluções complexas, exige organização!

Vamos às dicas práticas então:

  • Organizar a ordem de execução das tarefas reduz boa parte do retrabalho e da ansiedade.
  • Dar visibilidade às demandas ajuda o time a sair do modo urgência constante.
  • Controlar o tempo investido nas atividades traz clareza sobre sobrecarga e gargalos.
  • Melhorar o briefing reduz conflitos e desalinhamento.
  • Centralizar a comunicação evita ruídos e perda de informação.

No fim, o resumo dessa adequação é que uma operação organizada é uma operação mais saudável e produtiva.

Conclusão: se sua empresa já é organizada, não vai sentir os impactos da NR1

A NR-01 está puxando um movimento importante, que é sair de um modelo reativo e ir para um modelo de gestão estruturada, o que no fundo ajuda as empresas a crescer de forma mais sustentável e com mais organização.

Quer se aprofundar no tema? Para entender melhor como aplicar isso na prática e o que muda na rotina das empresas, vale assistir à live sobre saúde laboral e mental realizada pela Operand em parceria com o Sinapro/SC.

Aproveite: https://www.youtube.com/live/6Rk_yfmWWhs?si=bWxOGaaDXeNQWahy

Mayara Silva

Jornalista por formação, atuo com marketing e comunicação há mais de cinco anos e sou especialista em mídias digitais. Adoro explorar os diferentes formatos de conteúdo e estou sempre em busca de aprender coisas novas!

  • Por Mayara Silva em 01/05/2026
  • Categoria: Gestão
  • Tags: Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, GRO, impactos da NR1, lei do trabalho, Norma Regulamentadora nº 1, NR-01, NR01, nr1, PGR, Programa de Gerenciamento de Riscos, riscos psicossociais, saúde laboral, Saúde mental

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